terça-feira, 5 de agosto de 2014

A Dedicação Espiritual

  

A Umbanda tem em seu mais profundo cerne, a prática da caridade pura, o amor incondicional, a paz e a humildade. Ela também se propõe a produzir, pela modificação vibracional ou fluídica (conhecida popularmente como “magia”), modificações que permitam a melhoria de vida do ser humano. Através da caridade e dedicação espiritual, o médium Umbandista vai adquirindo elevação e consciência do valor de seu domínio mediúnico como forma de comunicação com seres superiores, de outras esferas.

As incorporações, os passes e descarregos feitos na Umbanda formam o conjunto de afazeres espirituais do dia a dia do médium. PORTANTO, O MÉDIUM É PATRIMÔNIO MAIOR DESTA MARAVILHOSA RELIGIÃO. Acontece que a mediunidade é uma faculdade e como toda faculdade psíquica precisa ser aprimorada e disciplinada. Na Umbanda, alguns critérios devem ser sempre observados: Quando um médium entra em trabalho, ele estabelece uma espécie de ligação com a espiritualidade. Esta ligação gera uma constante descarga fluídica no sistema nervoso do médium. Por este motivo é importante a disciplina da mediunidade.

O médium precisa aprender a fazer e desfazer esta ligação para evitar o desgaste do sistema nervoso. Médiuns faltosos, ausentes das sessões de desenvolvimento, doutrinas, sessões de descarrego e passes estão sujeitos a sofrer as conseqüências destes transtornos fluídicos como debilidade do sistema nervoso e patologias degenerativas.

 "A DISCIPLINA SE TORNA PALAVRA CHAVE, BEM COMO A OBEDIÊNCIA E O RESPEITO."

As facilidades do estabelecimento do contato mediúnico resulta do aprendizado moral e de um conjunto de pontos que alicerçam os degraus da evolução. Conselhos para os Médiuns: 

1- Conserve sua saúde psíquica, vigiando seu aspecto moral;

2- Não alimente vibrações negativas de ódio, rancor, inveja, ciúme, etc.;

3- Não fale mal de ninguém, pois você não é juiz, e via de regra, não se pode chegar às causas pelo aspecto grosseiro dos efeitos;

4- Não julgue que o seu guia ou protetor é o mais forte, o mais sabido, muito mais do que o de seu irmão, um aparelho também;

5- Não viva querendo impor seus dons mediúnicos, comentando, insistentemente, os feitos do seu guia ou protetor. Tudo isso pode ser bem problemático e não se esqueça de que você pode ser testado por outrem e toda a sua conversa vaidosa ruir fragorosamente. Dê paz ao seu protetor no astral, deixando de falar tanto no seu nome. Assim você está se fanatizando e aborrecendo a Entidade pois, fique sabendo, ele, o Protetor, se tiver mesmo “ordens e direito de trabalho” sobre você, tem ordens amplas e pode discipliná-lo, cassando-lhe as ligações mediúnicas;

6- Quando for para a sua sessão, não vá aborrecido e quando lá chegar, não procure conversas fúteis. Recolha-se a seus pensamentos de fé, de paz e, sobretudo, de caridade pura para com o próximo, entre em sintonia com o astral firmando as ligações com as entidades da sua coroa. 

NÃO MANTENHA CONVIVÊNCIA COM PESSOAS MÁS, INVEJOSAS, MALDIZENTES, ETC. Isso é importante para o equilíbrio de sua aura e dos seus próprios pensamentos:

1- Faça todo o bem que puder, sem visar recompensa ou agradecimentos;
2 -Tenha ânimo forte, através de qualquer prova ou sofrimento, confie e espere;
3- Faça recolhimentos diários, a fim de meditar sobre suas ações;
4- Não conte seus “segredos” a ninguém, pois sua consciência é o templo onde deverá   levá-los à análise;
5- Não tema a ninguém, pois o medo é uma prova de que está em débito com sua consciência;
6- Lembre-se de que todos nós erramos, pois o erro é humano e fator ligado à dor, ao sofrimento e conseqüentemente, às lições com suas experiências. Sem dor, lições, experiência, não há carma, não há humanização nem polimento íntimo, o importante é que não erre mais, ou melhor, que não caia nos mesmos erros. Passe uma esponja no passado, erga a cabeça e procure a senda da reabilitação: para isso, “mate” a sua vaidade e não se importe, de maneira alguma, com o que os outros disserem ou pensarem a seu respeito. Faça tudo para ser tolerante, compreensivo, humilde, pois assim só poderão dizer boas coisas de você. 


ZELE POR SUA SAÚDE FÍSICA COM UMA ALIMENTAÇÃO RACIONAL E EQUILIBRADA:

1- Não abuse de carnes vermelhas, fumo, álcool ou quaisquer excitantes;
2- No dia da sessão, não coma carne, álcool ou qualquer excitante.
3- De véspera e após a sessão, evite manter contato sexual; O ato sexual promove grande escape de energia através do chakra genésico e conseqüentemente uma grande baixa energética na aura. Vale lembrar também que a troca de fluidos corporais também traz em si uma imensa carga energética que pode não ser benéfica.
4- Todo mês, deve escolher um dia para ficar em contato com a natureza, especialmente uma mata, uma cachoeira, um jardim silencioso, etc. Ali deve ficar lendo ou meditando, pois assim ficará a sós com sua própria consciência, fazendo revisão de tudo que lhe pareça ter sido positivo ou não, em sua vida material, sentimental e espiritual.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A Falange dos Médicos do Astral


Existe uma falange bem conhecida dentro da Umbanda, e relacionada com a Linha do Oriente e normalmente colocada na sétima hierarquia da mesma: a Falange dos Médicos ou Curadores. Comandada pelo sábio José de Arimatéia (Yosef Ha-Aramataiym em hebraico), um discípulo oculto do Mestre Jesus, ela agrupa inúmeros terapeutas do corpo e da alma.  

Tradições ocultas nos contam que José, um rico membro do tribunal rabínico de Jerusalém, depois de conseguir um lugar para Jesus ser sepultado, viajou para o Ocidente trazendo o Santo Graal. Ele teria aportado nas costas britânicas com alguns discí­pulos, salvando o objeto mais precioso do Cristianismo. José de Arimatéia, ao chegar onde hoje é a Inglaterra no ano de 36 D.C., encontrou lá os poderosos sacerdotes druidas e fez uma especial troca de ensinamentos e segredos esotéricos.

Desde então, uma misteriosa escola nasceu e continuou pelos séculos seguintes. A Umbanda brasileira, legítima herdeira do esoterismo cristão, também trabalha espiritualmente com esta herança. A Linha do Oriente, que contém a Falange de José e a Falange dos Europeus demonstra esta riqueza admirável. A Falange dos Médicos do Astral é uma egrégora composta de centenas de trabalhadores espirituais. Na maioria das vezes, eles foram em suas últimas vidas, médicos, curandeiros, raizeiros, benzedores e rezadores. Este exército de caridade é classificado em sete agrupamentos ou Legiões (alguns as chamam de Povos).

I – LEGIÃO DOS DOUTORES OU MÉDICOS: Composta por doutores da medicina ocidental convencional ou ho­meopatas : Dr. André Luiz, Dr. Rodolfo de Almeida, Dr. João Correia, Dr. José Gregório Hernandéz, entre outros.

II – LEGIÃO DOS MÉDICOS ORIENTAIS: Terapeutas orientais, especialistas em fitoterapia, acupuntura, massagem e nas principais disciplinas médicas tradicionais da Ásia: Ramatis, Mestre Agastyar, Babaji.

III – LEGIÃO DOS CURANDEIROS: Curandeiros e Xamãs nativos das Américas, África e Oceania : caboclos e pretos velhos, feiticeiros tradicionais, alguns Exus – como o Exu Curador, Seu Maramael.

IV – LEGIÃO DOS REZADORES: Rezadores, benzedores e os praticantes da medicina religiosa ou espiritual. Aqui encontramos todo os que curavam pela imposição das mãos, fé e oração : Pai João Maria de Agostinho, Pai João de Camargo, Vó Nhá Chica, Mestre Philippe de Lyon, Abade Julio.

V – LEGIÃO DOS RAIZEIROS: Praticantes da medicina folclórica e mágica regional. São os mestres juremeiros brasileiros, os ervateiros ou chamarreiros das Américas e todos os especialistas na flora, fauna e minerais curativos: Dom Nicanor Ochoa, Mestre Inácio, Mestre Carlos de Oli­veira, Mestre Rei Heron.

VI – LEGIÃO DOS CABALISTAS E ALQUIMISTAS: Espíritos dos velhos cabalistas e alquimistas, conhecedores dos segredos das plantas e cristais : Pai Isaac da Fonseca (primeiro cabalista brasileiro), Nicolau Flamel, Paracel sus, Pai Jacó.

VII – LEGIÃO DOS SANTOS CURADORES: Santos católicos celebrados como médicos, curandeiros ou especialistas na cura de alguma doença : Santa Luzia – olhos, Santa Ágata – seios, São Lazaro – doenças de pele, São Bento – envenenamentos.





A breve história do nascimento da Umbanda


Segundo alguns autores, a Umbanda teria nascido no início do século XX, mais precisamente em 15 de novembro de 1908, num centro espírita de Niterói (RJ). Um jovem carioca pertencente a uma família de classe média, de nome Zélio de Moraes, em sessão espírita na Federação Espírita de Niterói, teria recebido o espírito de um caboclo, que revelara a nova religião. No outro dia, na casa de Zélio, iniciavam-se os trabalhos desta nova religião. O nome dado à casa de orações foi Tenda Nossa Senhora da Piedade, e lá acorreram alguns médiuns kardecistas que haviam sido escorraçados dos centros kardecistas por terem incorporado caboclos, pretos-velhos e crianças, entidades não aceitas nos centros kardecistas. 

Esta história da fundação da Umbanda é defendida por vários autores e reproduzida em vários livros, alguns mais detalhistas, outros apenas citando o evento. Mas esta história é, na verdade, um mito fundador da Umbanda, que ganhará força após a década de 1940, no Rio, com a constituição do I Congresso Brasileiro de Umbanda. Note-se que, neste mito, aparecem alguns elementos interessantes, que visam afastar a Umbanda de maiores influências da cultura negra africana. Nesse sentido, criar uma identidade nacional desvinculada da figura do negro era essencial. Autores como Silvio Romero e Nina Rodrigues reforçam estas idéias em suas obras, colocando a culpa pelos atrasos brasileiros na presença do negro em terras brasileiras. Este quadro vai acabar influenciando a Umbanda, que pretende ser uma religião brasileira, portanto imbuída destas teorias nacionalistas que pretendem excluir o negro do processo. Esta é a principal discussão do primeiro congresso de Umbanda realizado no Rio de Janeiro em 1941. A preocupação dos participantes era justamente a de reafirmar a origem mítica da Umbanda, ocultando qualquer relação sua com a África, com a macumba carioca. É assim que este mito de fundação ganha forças e passa a figurar nas obras de diversos intelectuais que estudaram esta religião como o nascimento oficial da Umbanda. 

Mas o processo que levou à constituição da Umbanda é muito mais longo e antigo do que parece. Ele se inicia alguns anos antes, quando da chegada dos primeiros navios negreiros às costas brasileiras, e está intimamente relacionado com a presença do negro africano em terras brasileiras, com o nascimento dos candomblés e com a figura do feiticeiro negro. Voltando um pouco no tempo, perceberemos que não foi só pelos candomblés que as práticas religiosas de origem africana se perpetuaram. Fora dos terreiros, em casas simples e barracões, vários líderes religiosos conhecidos como “feiticeiros negros” prestavam diversos serviços à população local, concorrendo com a Igreja Católica e até mesmo com a medicina oficial.

 Alguns destes feiticeiros ganharam notoriedade na sociedade e, quando isto ocorria, o governo imperial tratava logo de dar-lhes um sumiço. Eram condenados à prisão sob diversas acusações, como estelionato, prática ilegal da medicina ou, simplesmente, acusados de praticar feitiçaria e curandeirismo, considerados crimes na época. Nestas casas de feiticeiros, diversas práticas se misturavam e se aglutinavam. Não havia códigos rígidos de conduta, nem ritualísticos. As práticas seguiam única e exclusivamente as ordens de seu líder religioso, que podia se denominar pai-de-santo como no candomblé. Misturavam crenças de origem africanas, como os orixás e eguns, com práticas xamânicas indígenas, santos católicos, realizavam benzições, receitavam chás e ervas com efeito de cura, entre outros. O termo sincretismo foi bastante utilizado por alguns autores que estudaram esta religião para descrever esta mistura. 

Assim, este quadro cultural efervescente dará origem a uma variedade enorme de práticas, crenças e ritos que se utilizam de elementos africanos, católicos, indígenas, em diferentes graus. Todo este quadro religioso de práticas mágicas, baseados nas figuras dos feiticeiros negros, é chamado por Roger Bastide de macumba. O termo macumba origina-se de um instrumento musical utilizado em vários rituais africanos. Trata-se de uma espécie de reco-reco, e sempre que se ouviam músicas africanas, alguns diziam que estavam “tocando macumba”. Assim, o termo acabou se estendendo ao culto, e logo após passou a denominar a casa onde ele era praticado, surgindo assim as ‘Casas de Macumba’. 

Esta macumba estava espalhada por praticamente todo o Brasil e era um conjunto de práticas desconexas, sem um corpo doutrinário que as unisse em torno de uma única religião. Os praticantes destes cultos e rituais eram perseguidos, no início pela inquisição, e depois pelo Estado, que os perseguia em nome do combate ao atraso e à barbárie. 

O nome Umbanda passa a ser utilizado a partir do final do século XIX e início do XX e deriva do nome do sacerdote na língua africana kimbundo, chamado de Umbanda, e, no plural, Ki-mbanda. É possível que este nome tenha se espalhado e foi apropriado pelos líderes de terreiros, que substituíram a macumba, termo que havia ganhado uma conotação pejorativa na sociedade, relacionando-se aos fazedores de feitiço e até adoradores do diabo. 

Com a chegada do kardecismo no Brasil, no início do século XX, estes terreiros vão sendo aos poucos influenciados pela doutrina kardecista. As explicações dadas pelos kardecistas para os vários fenômenos que ocorriam nos terreiros de Umbanda acabam sendo apropriadas por muitos destes, que passam a se utilizar da doutrina kardecista dentro de seus terreiros. Outro fator que aproxima estas duas religiões era a perseguição sofrida ainda pelos terreiros de macumba e a legitimidade social que tinha o kardecismo na sociedade. 

O espiritismo kardecista era uma religião de status social, intelectualizada e freqüentada em grande parte por membros da elite brasileira. Para fugir das perseguições, muitos terreiros passam a se dizer espíritas, intensificando a associação entre estas duas religiões. Já no início do século XX, em artigos de jornais e escritos católicos, podemos encontrar as denominações de alto e baixo espiritismo conferidas, respectivamente, ao kardecismo e às práticas da macumba, candomblé e Umbanda. Esta era uma forma de diferenciar as duas religiões, já que, aos olhos de seus perseguidores (a Igreja Católica e os jornais conservadores da época), espiritismo e práticas afro-brasileiras eram a mesma coisa. 

Mesmo com os esforços por parte dos kardecistas em negar a associação que se fazia entre sua religião e a Umbanda, esta associação continua durante praticamente todo o século XX e irá marcar profundamente esta religião de matriz africana em formação. Este período de perseguição irá durar ainda todo o século XX, com a invasão e fechamento de vários terreiros, além da prisão de participantes dos cultos e apreensão de objetos utilizados nos rituais. 

Tal perseguição policial durou até a década de 1950, quando se inicia então o movimento federativo, particularmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. A repressão, no entanto, não cessa neste período, ela apenas muda sua forma. Agora, ao invés de perseguição policial, a Umbanda sofreria a perseguição ideológica da Igreja Católica e da imprensa conservadora, especialmente de jornais como O Estado de S. Paulo. 

Levadas pelas críticas, as federações tendem a fugir de seus estigmas de origem e tentam retirar de seus rituais tudo aquilo que possa remeter ao seu passado negro, ou que pudesse passar a imagem de primitivo ou bárbaro. Inicia-se um forte movimento de ‘branqueamento’ dos rituais umbandistas. A perseguição ideológica e o movimento federativo vão da década de 1950 até o ano de 1964, quando se inicia uma expansão umbandista com o apoio do governo militar. 

Na década seguinte, a Umbanda chega ao seu ápice, com nada menos do que 94,1% dos registros de terreiros umbandistas em cartório, contra apenas 4,7% de centros espíritas e 4,2% de candomblés, isto apenas em São Paulo. A partir desta década, tirando um ou outro artigo publicado em jornais criticando a Umbanda, ela passa a gozar de uma certa legitimidade na sociedade brasileira. Apoiada por políticos e intelectuais, tendo seus congressos regionais e nacionais e tendo suas festas incluídas nos calendários de vários estados, como a tradicional festa para Iemanjá, que é feita em várias praias brasileiras na virada do ano, a Umbanda vira sinônimo de nacionalismo e passa a ser defendida por muitos intelectuais como a “legítima religião brasileira”. 

Seu crescimento ao longo de todo este período se deu em duas frentes distintas. “De um lado, ao expandir-se, a Umbanda atingia setores da classe alta, e de outro lado era invadida pelo Candomblé”. O crescimento polarizado continuou, portanto, presente na Umbanda. Isso foi possível graças ao intenso hibridismo que a marcou desde seu início, não tendo ela nascido com corpo doutrinário estabelecido e modelos fechados de rituais. Pelo contrário, cada pai-de-santo, cada líder de terreiro manteve sua autonomia para conduzir o culto conforme seus interesses e conhecimentos, podendo ele agregar elementos de diversas outras religiosidades, desde a doutrina kardecista até elementos das chamadas religiões da Nova Era. 

Surgida da união de vários elementos trazidos de outras religiosidades, a Umbanda herdou da macumba suas práticas mágicas e rituais africanizados; do kardecismo, a doutrina dos espíritos; do candomblé, o panteão dos orixás; do xamanismo indígena, suas ervas e curas; além de ter sofrido influências orientais, ciganas, islâmicas e até mesmo das religiões holísticas da chamada Nova Era. Nesse quadro de elementos, cada terreiro pôde se estruturar a seu modo, agregando as influências que o líder achasse mais convenientes para o desenvolvimento de seu trabalho, o que provocou esta diversidade em torno dos rituais umbandistas. 

Referências:
DUARTE, E. G. Guia de religiões populares do Brasil. Rio de Janeiro: Pallas, 2002.
NEGRÃO, L. Entre a cruz e a encruzilhada: formação do campo umbandista em
São Paulo. São Paulo: Edusp, 1996.
PINHEIRO, R.; INÁCIO, A. Aruanda. Contagem: Casa dos Espíritos, 2004.
SARACENI, R. Livro de exu: o mistério revelado. São Paulo: Madras, 2006.
SILVA, V. G. da. Candomblé e Umbanda: caminhos da devoção brasileira. 2. ed.
São Paulo: Selo Negro, 2005.
*LÉO CARRER NOGUEIRA
Mestrando em História pela Universidade Federal de Goiás.
E-mail: leocarrer@antitelejornal.net
NOGUEIRA, Leo Carrer. Do negro ao branco: breve história do nascimento da Umbanda. Goiânia: Revista Caminhos, Universidade Católica de Goiás, vol. 5, nº 2, 200

Ervas quentes, mornas e frias


As ervas estão presentes em todas as religiões, dentro de todos os rituais religiosos, desde sempre. E a Umbanda é a religião da natureza. Da natureza elemental e da natureza humana.
As ervas são organismos vivos. Há uma vida espiritual contida em cada erva. Isso é chamado de Imanescência Divina, o espírito vivo de Deus que anima tudo. Dos elementos da natureza o mais parecido com o da natureza humana é o vegetal, pois ele nasce, cresce, se reproduz e morre. Esse espírito vivo possui características energéticas definidas pela vibração passada aos organismos à sua volta. Essa vibração magnética é polarizada, ou seja, pode ser positiva ou negativa. Então, uma erva é atribuída a um orixá por analogia vibratória. Energia que está presente na vibração do orixá com a energia que está presente na vibração da erva.

Para o uso correto de uma erva é necessário saber: o nome da erva e o verbo atuante. Verbo é o poder realizador divino, é o poder de transformação, consequentemente é magia. O que movimenta ou ativa o poder realizador é o propósito, a intenção. Uma mesma erva pode proporcionar mais de um poder realizador. Como exemplo a hortelã que é antigripal, vermífugo, estimulante, refrescante, etc.

Uma mesma erva pode ser atribuída a varios Orixás. Não pela sua cor, seu formato ou seu visual, e sim pela vibração. Afinal, os Orixás estão ligados entre si. Pode-se usar ervas frescas ou ervas secas. A erva fresca carrega em si a imanescência divina, o fator vegetal e o fator aquático. A erva seca carrega todos os fatores anteriores e mais ainda o fator concentrador, pois sofre o processo de desidratação. Qual é a melhor?

A melhor é aquela indicada pelo seu guia ou protetor de acordo com a necessidade. Ou ainda, nos dias corridos de hoje, a que está mais fácil de se obter. Também sempre lembrar que a lua influencia na quantidade de água na planta. Em luas cheias e crescente haverá mais água nas folhas, e em luas nova e minguante, nas raizes.

As ervas são classificadas como Quentes ou Agressivas, Mornas ou Equilibradoras e Frias ou Específicas. Isso não é uma classificação de acordo com a temperatura da erva, e sim de acordo com seus fatores.
As ervas quentes ou agressivas carregam o poder de agredir estruturas energéticas negativas. Dissolvem larvas astrais, miasmas e cascões energéticos. São muito usadas pelos exus, pelo campo de ação deles, pois atuam na natureza humana, nas linhas de choque (demandas, magias negativas, projeções mentais, etc.). 

Seus verbos mais utilizados são: limpar, consumir, purificar, dissolver, descarregar. Exemplos mais comuns de ervas quentes: cacto, urtiga, arruda, guiné, comigo-ninguém-pode.
As ervas mornas ou equilibradores carregam o poder de equilibrar, tornar magneticamente receptivo, adequar o padrão energético para não atrair o semelhante. Reconstitui a aura que pode ter sido “esburacada” por cargas negativas. Seus verbos mais utilizados são: equilibrar, manter, adequar, fluir, restaurar, energizar.

Exemplos mais comuns das ervas mornas são: hortelã, alevante, sálvia, alfazema, alecrim.
As ervas frias ou específicas tem o seu poder de atuação depois de limpar e de equilibrar. São usadas para mediunidade, para atrair bons fluidos, para prosperidade, para fitoterapia, etc.

Exemplos mais comuns de ervas frias são: rosa, anis, jasmim, malva, café, louro, melissa, manjericão.
Observar que uma erva pode ser ao mesmo tempo quente, morna e fria, pois carrega mais de um fator realizador. Os padrões energéticos se complementam, nunca se anulam. Então, por exemplo, pode-se associar o uso de todas elas na preparação de um banho. Neste caso volto a frisar a palavra mágica “intenção”. Sempre colocar intenção no uso de uma erva. E esperar o merecimento…

Quando se fala em ervas, subentende-se toda a planta: raiz, caule, folhas, frutos e sementes. Existem também as resinas, que são a seiva vegetal endurecida extraídas da casca das árvores, muito usadas em defumações. Sabendo de tudo isso, estaremos mais qualificados para preparar nossos banhos, para entender o uso de uma defumação, entender o uso das ervas em um amaci, e o uso do fumo pelas entidades na Umbanda.

Os Orixás e suas ervas


Exu - Folha de Jabuticaba, Pinhão Roxo, coração de bananeira, Folha de Manga espada, Folha de Mamona.
IansãEspada de Iansã (não serve para banho), Folha de Louro (não serve para banho), Erva de Santa Bárbara, . Gerânio cor-de-rosa ou vermelho, Folhas de Rosa Branca, Hortelã.
Nanã Colônia, Manjericão Roxo, Taioba (não serve para banho), Ipê Roxo, Erva de Passarinho, Dama da Noite, Folha da Quaresma, Jarrinha, Parioba, Golfo Redondo, Canela de velho, Salsa da Praia, Manacá. (Em algumas casas:  assa peixe, cipreste, erva macaé, dália vermelho escura, folha de berinjela, folha de limoeiro, manacá, rosa vermelho escura, tradescância).

Obaluaiê - Canela de Velho, Barba de Velho, Erva de Passarinho, Cinco Chagas, Fortuna, Hera, Folha de Loko, Taioba (não serve para banho), Erva de Bicho, Barba de Milho. (Em algumas casas: cuféia -sete sangrias, erva-de-passarinho, canela de velho, quitoco, Zínia).
Ogum  - Espada de São Jorge, Comigo ninguém pode, Folha de Roma.
Oxalá  - Tapete de Oxalá (Boldo), Saião, Sândalo, Malva Branca, Colônia, Patchouli, Alfazema, Manjericão Branco, Folha do Cravo da Índia, Neve Branca, Folha de Algodoeiro, Salsa da Praia, Folha de Parreira, Rosa Branca, Folha de Laranjeira. (Em algumas casas: poejo, camomila, chapéu de couro, coentro, gerânio branco, arruda, erva cidreira, alecrim do mato, hortelã, folhas de girassol, agapanto branco, aguapé (golfo de flor branca), alecrim da horta, alecrim de tabuleiro, baunilha,  camélia, carnaubeira, cravo da índia, fava pichuri, fava de tonca, maracujá (flores), macela, palmas de jerusalém, umbuzeiro, salsa da praia).
Oxóssi - Eucalipto cheiroso, Folha de Pitanga, Folha de Goiaba, Guiné, Alecrim, Erva cidreira, Erva de São João ( Cipó de São João )
Oxum  - Erva de Santa Maria, Erva cidreira, Camomila, Erva Doce, Manjericão.
Xangô - Folha de Quiabo, Poejo, Folha de Limão, Folha de Manga, Arnica.
Yemanjá - Pata de Vaca, Alfazema, Erva de Sta Luzia, Cipreste ( Pinheiro ).

O Que é um assentamento, e para o que serve?


Assentamento é o local onde são colocados alguns elementos com poderes magísticos, com a finalidade de criar um ponto de proteção, defesa, descarga e irradiação. Um assentamento pode ser destinado a uma só força ou poder ou a varias. Mas, em geral, faz-se um para cada força ou poder que se deseja assentar. Por que assentar uma força ou poder?

As forças vivem no plano espiritual e os poderes vivem no plano divino da criação e, a partir deles, enviam-nos suas vibrações, auxiliando os trabalhos espirituais que são realizados nos Centros de Umbanda. Esse auxilio é natural porque se processa religiosamente. Mas como em um trabalho espiritual vêm pessoas com poderosas cargas negativas, é preciso que exista no plano material pontos de descarga que possam absorvê-las e enviá-las de volta às faixas vibratórias negativas.
Esta é uma das muitas funções de um assentamento de força e de poderes.

A entidade assentada (Orixá ou guia espiritual) tem no assentamento elementos com poderes mágicos, os quais utilizam ativando-os segundo as necessidades do Centro, do trabalho espiritual e dos médiuns. Em regra, faz-se um assentamento central e daí em diante começa a firmeza de outras forças ou de outros poderes ao seu redor, aumentando seu campo de ação e de atuações.
Se é o assentamento de um Orixá, outros não devem ser assentados ao redor ou ao lado dele, porque cada um é um poder realizador em si mesmo, e dois ou mais assentamentos dentro de um mesmo ambiente criam dois pontos distintos que farão a mesma coisa e o recomendado é que, caso alguém queira assentar dois ou mais guias ou Orixás, então deve reservar um ambiente para cada um, separando-os e isolando-os para que suas vibrações, irradiações, ações e atuações não se misturem e não se confundam. Por isso existem assentamentos e firmezas.
Os assentamentos criam vórtices ou “pontos de forças”, enquanto as firmezas de outros guias e Orixás dotam-no de um maior poder de realização. Esse aumento de poder de realização deve-se ao fato de que os guias e Orixás firmados ao redor do assentamento central “emprestam-lhe” suas forças e poderes e abrem-lhe seus campos de ações e atuações, aumentando o leque de opções ao guia ou ao Orixá assentado, que lhe repassará atribuições ás quais exercerão com desenvoltura, porque terão no assentamento um poderoso ponto de descarga, de proteção e de auxilio nas suas ações mais profundas.
Normalmente se assentam o Guia-Chefe e o Orixá regente da coroa do dirigente espiritual, assim como ao se Exu e Pombagira guardiã.
Os assentamentos do guia chefe e do Orixá devem estar localizados dentro das construções que abriga o terreiro. Os assentamentos do Exú e Pomba-gira guardiã devem ser feitos do lado de fora da construção principal que abriga o terreiro, ainda também possa estar dentro de outra construção de porte menor.

O ideal (ainda que isso nem sempre seja possível) é que os assentamentos dos Orixás e dos guias chefes da direita e da esquerda se localizem em cômodos isolados e com acesso restrito, inacessível ao publico. Quando o Centro não tem espaço para tanto, ai o recomendado é que se assentem o Orixá e o guia chefe da direita sob o altar e o Exú e Pomba-gira guardiã em uma casinhola na entrada do terreno que abriga o terreiro.
Centros localizados em terrenos e construções amplas tem mais facilidade para fazê-los. Já nos menores, ai é preciso um pouco de criatividade para fazer assentamentos e as firmezas ao seu redor.

Fonte: Rituais Umbandistas – Oferendas, Firmezas e Assentamentos – Rubens Saraceni – Ed. Madras

O Ritual do Amaci


O Amaci, é um ritual umbandista, onde anualmente os médiuns iniciantes e os mais antigos da corrente devem passar por ele. Este ritual tem a finalidade de preparar o médium para receber as energias vibrantes do terreiro, além de oferecer ao filho de fé a limpeza de seu campo áurico, bem como confirmar as entidades trabalhadoras da coroa daquele médium.

Ele visa também, propiciar ao médium maior contato com seus Orixás de Coroa, pois que para seu preparo será de praxe, que o dirigente do templo colha as ervas de todos os Orixás, uma de cada pelo menos, e coloque-as quinadas dentro do preparo que será feito com as quatro águas (mar, cachoeira, chuva e fonte/mineral). No ritual, cada médium em fila deve estar trajado de branco e cada um com seu respectivo pano de cabeça, para que após a lavagem da mesma, seja esta protegida pelo pano.

Após o banho ser jogado na cabeça do filho de fé, este deverá colocar o pano de cabeça, em silêncio absoluto. Importante salientar que tanto para os médiuns iniciantes como para os coroados, será indispensável que a energia do Amaci permaneça no campo áurico por pelo menos 24hs, e não mais de 72hs, sendo portanto recomendado que não se molhe a cabeça nas primeiras 24hs. Terminada a Gira do Amaci, podem os médiuns retirar seus panos de cabeça.

Frise-se que a Gira do Amaci tem outros fundamentos, que não compete ao momento a divulgação, tais fundamentos referem-se aos pontos a serem cantados, ao ponto de firmeza que será riscado, ao defumador que nesta gira não será o habitual, além das firmezas outras que uma Casa de Umbanda deve ter nos dias de Amaci.


Obs: cada casa tem sua maneira de trabalhar e seu ritual específico.

O Amaci tem como finalidade:

a) apresentar o filho ou a filha para o seu Orixá como um de seus instrumentos para o exercício de Seu Amor e de Sua Luz;

b) Imantar e entregar a coroa do médium para o seu Orixá de Coroa;

c) Iniciar o médium como um membro ativo da Umbanda, com responsabilidades e compromissos com os Orixás (compromissos e responsabilidades são amar o próximo, dedicar parte de sua vida para exercer sua religião com amor e respeito e disciplina.
Doar suas energias e tempo para o bem de teu próximo, doar seu corpo, mente e alma para promover a caridade – o amor essencial.)

d) Manter esse médium assistido e cuidado, já que sua coroa vibrará na intensidade e na força da Casa, sendo alimentado seu chacra coronário constantemente, garantindo mais segurança e harmonia para esse filho ou filha, possibilitando um maior cuidado e zelo do Pai-de-Santo com seus filhos do ponto de vista espiritual; É uma firmeza e garantia para os filhos e filhas.

O Amaci não é um compromisso de nunca mais sair da Umbanda, não é o fechamento da porta de saída, não é uma responsabilidade que não se possa posteriormente ser desistida. Ou seja, amanhã caso um filho ou filha desejarem sair da Umbanda, ou mesmo sair dessa casa poderão fazê-lo de forma tranqüila e natural. Assim não é um compromisso para toda a vida, é um compromisso que respeita totalmente o livre-arbítrio. O maior compromisso dos médiuns foi feito antes de seu reencarne, o Amaci é apenas uma primeira confirmação desse compromisso.

sábado, 2 de agosto de 2014

Sinta...


Para o médium iniciante


Neste vídeo, ótimas dicas e informações sobre o desenvolvimento mediúnico a partir da Umbanda. Qualidades, defeitos, imperfeições, comportamentos e muito mais de forma simples.



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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Documentário: O Que é Umbanda?


Documentário sobre o que é a religião umbandista. Um vídeo onde o iniciante na religião pode conhecer um pouco mais sobre a Umbanda, seus Orixás, fundamentos, dogmas, tudo que você precisa saber sobre essa religião linda. Um documentário simples, para tirar as dúvidas de quem está iniciando na religião.



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