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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

As Giras de Umbanda



A Umbanda tem como lugar de culto o templo, Terreiro ou Centro, que é o local onde os Umbandistas se encontram para a realização de suas giras, sessões. É um termo cujo significado é sessão umbandista, com cânticos, danças, rezas e benzimentos.  A gira é um ritual mágico utilizado na umbanda para a manifestação dos espíritos através da incorporação.

Nas sessões de atendimento, que  são as consultas, onde as pessoas conversam com nossas entidades, a fim de obter ajuda e conselhos para suas vidas, curas, desobsessões e para resolver problemas espirituais diversos. Nas giras dos terreiros ou em consultas particulares o processo é o mesmo, os médiuns incorporados pelos seus guias (Preto-Velhos), procedem ao atendimento espiritual ao público, em que todos são convidados a se consultarem com um guia e/ou a tomar um “passe”.

As entidades incorporadas pelos médiuns podem ser:

Orixás: Xangô, Ogum, Exu, Oxum, Nanã, Iemanjá, Iansã, Obaluayê, Oxumaré, entre outros.

Guias: Preto- Velhos, Caboclos, Boiadeiros, Crianças, Exus, Marinheiros e Orientais.
Normalmente, esses guia de luz, quem comanda é um Preto-Velho ou Caboclo.
Observação:
Na linguagem e na concepção umbandista, quem incorpora numa gira de Umbanda não são os Orixás propriamente ditos, mas seus falangeiros, em nome dos próprios Orixás. Tal concepção está de acordo com o conceito de ancestral (espírito) divinizado (ou evoluído) vivenciado pelos africanos que para cá foram trazidos como escravos. Mesmo que essa visão não seja consensual, ao menos se admite no meio umbandista,  que Orixá que incorpora, possui um grau adequado de adaptação à energia dos encarnados, o que seria incompatível para os Orixás hierarquicamente superiores.

Na umbanda os médiuns que recebem os guias são chamados, aparelhos. A incorporação é chamada também de transe mediúnico, ou seja, os guias se apossam do corpo do médium para realizarem seus trabalhos.

Existe três categorias de médiuns: Consciente, inconsciente e semi-inconsciente.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

A História do Atabaque

terça-feira, 12 de agosto de 2014

A Hierarquia dos Espíritos




Trabalhadores da Lei de Amor e Caridade:
  •  Chefes de Linha
  •  Chefes de Legião
  •  Chefes de Falange
  •  Mentores
  •  Guias
  •  Protetores
  •  Socorristas
Despertados para a Lei de Amor e Caridade:
  •  Coroados
  •  Batizados
MAIS AFASTADOS DE DEUS:

Indiferentes à Lei de Amor e Caridade
  • Atormentados
Rebeldes à Lei de Amor e Caridade
  •  Zombeteiros
  •  Perversos
A descrição abaixo é baseada no Livro dos Espíritos, de Alan Kardec.

TRABALHADORES DA LEI DE AMOR E CARIDADE:

CHEFES DE LINHA

Estes espíritos são os mais próximos de Deus, cujas ordens executam para manutenção da Lei de Amor e Caridade universal. São completamente purificados de todas as influências da matéria e reúnem em si as mais elevadas bondade, qualidade morais e suprema sabedoria espiritual, superior a dos demais espíritos. Os espíritos desse grau não mais necessitam sofrer provas, nem expiações e não estão mais sujeitos à reencarnação. Por estarem livre da influência da matéria, vivem em plena felicidade ao lado de Deus, nos mais elevados planos espirituais.

Por causa de suas características, eles comandam as linhas de espíritos que desempenham um trabalho em prol da Lei de Amor e Caridade. Como chefes dessas linhas, compete a eles designar as missões das legiões espirituais, bem como auxiliar os espíritos que lhes são inferiores em seu aperfeiçoamento espiritual.

Esses espíritos não incorporam, nem se manifestam aos encarnados, deixando esse tipo de ação para os que lhes são inferiores. Ainda assim, assistem aqueles em suas aflições e os estimulam à prática do bem. São classificados como espíritos puros no Livro dos Espíritos e como anjos, arcanjos, querubins, serafins ou devas em várias religiões, onde são considerados divindades benfazejas. Estes são os espíritos dos Devas, Santos e Orixás, por exemplo: a Divindade Ganesh, São Francisco, Orixá Ogum.

CHEFES DE LEGIÃO

A purificação de toda a influência da matéria é o que os caracteriza, reunindo em si elevada bondade, as mais elevadas qualidades morais e altíssima sabedoria espiritual, superior a dos Chefes de Falange. Os espíritos desse grau não mais necessitam sofrer provas, nem expiações e não estão mais sujeitos à reencarnação. Por estarem livre da influência da matéria, vivem em suprema felicidade nos planos superiores da vida espiritual.

Por causa de suas características, eles comandam as legiões de espíritos que desempenham um trabalho em prol da Lei de Amor e Caridade. Como chefes dessas legiões, compete a eles designar as missões das falanges espirituais, bem como auxiliar os espíritos que lhes são inferiores em seu aperfeiçoamento espiritual. Esses espíritos não incorporam, nem se manifestam aos encarnados, deixando esse tipo de ação para os que lhes são inferiores. Ainda assim, assistem aqueles em suas aflições e os estimulam à prática do bem.

São classificados como espíritos puros no Livro dos Espíritos e como anjos, arcanjos, querubins ou devas em várias religiões, onde são considerados divindades benfazejas. Aqui se encaixam os Espíritos que vem em ligação direta com os Orixás, espíritos puro,como por exemplo os Orixás que baixam no candomblé.


CHEFES DE FALANGE

A purificação de toda a influência da matéria é o que os caracteriza, reunindo em si elevada bondade, as mais elevadas qualidades morais e elevada sabedoria espiritual. Os espíritos desse grau não mais necessitam sofrer provas, nem expiações e não estão mais sujeitos à reencarnação em corpos materiais perecíveis. Por estarem completamente livre da influência da matéria, vivem em suprema felicidade nos planos superiores da vida espiritual. Por causa de suas características, eles comandam as falanges de espíritos que desempenham um trabalho em prol da Lei de Amor e Caridade. Como chefes dessas falanges, compete a eles designar as missões dos espíritos que lhes são inferiores, bem como auxiliá-los em seu aperfeiçoamento espiritual.

Suas manifestações, embora raríssimas, são sublimes e suas comunicações são extremamente bondosas e repletas de ensinos morais e espirituais, porém são restritas àqueles que procuram a verdade espiritual com boa-fé e que não os evocam por curiosidade ou com propósitos que fogem ao bem. Rarissimamente atuam através de trabalhos que exijam incorporação, deixando esse tipo de ação para os que lhes são inferiores. Ainda assim, assistem os encarnados em suas aflições e os estimulam à prática do bem.

São classificados como espíritos puros no Livro dos Espíritos e como anjos, arcanjos ou devas em várias religiões, onde são considerados divindades benfazejas. Aqui se encaixam os falangeiros e mentores espirituais. por exemplo: Emmanuel, André Luiz. Ogum Beira-Mar, Caboclo Tupinambá, Pai Benedito entre outros..

MENTORES

A associação de bondade, de qualidades morais elevadas e de elevada sabedoria espiritual é o que os caracteriza. Essa superioridade que possuem os tornam mais qualificados a transmitirem verdadeiros ensinamentos sobre o mundo espiritual, dentro do limites do que lhes é permitido revelar. Situam-se muitíssimo acima da condição geral média da humanidade, não apresentando qualquer apego às coisas do mundo material. Por causa disso, a encarnação destes espíritos no planeta Terra é rara e quando assim o fazem, cumprem a missão de servir de exemplo aos demais na evolução que se deve buscar.

Suas manifestações são sublimes e suas comunicações são extremamente bondosas e repletas de ensinos morais e espirituais, porém são restritas àqueles que procuram a verdade espiritual com boa-fé e que não os evocam por curiosidade ou com propósitos que fogem ao bem. Raramente atuam através de trabalhos que exijam incorporação, uma vez que seus trabalhos de caridade não estão mais no campo de socorro a necessitados, nem no auxílio na evolução espiritual de um único indivíduo. A principal missão de um espírito neste grau é auxiliar na evolução espiritual de coletividades, seja de seres encarnados ou não. São Espíritos que tomam conta das linhas, que deram nomes as linhas que hoje conhecemos independente de seu trabalho, são Caboclos,Pretos-Velhos, Crianças e Exus.

GUIAS

A associação da bondade com as qualidades morais mais elevadas é o que os caracteriza. Não possuem conhecimentos ilimitados, porém são dotados de uma capacidade intelectual que lhes faculta juízo reto sobre os seres humanos e as coisas. Situam-se muito acima da condição geral média da humanidade, não apresentando qualquer apego às coisas do mundo material. Suas manifestações não apresentam grosserias de quaisquer espécies e suas comunicações são extremamente bondosas e repletas de ensinos morais. Se fazem muito atuantes através de trabalhos que exijam incorporação, uma vez que seus trabalhos de caridade não estão mais no campo de socorro a necessitados, embora muitas vezes ainda o façam.

A principal missão de um espírito neste grau é auxiliar na evolução espiritual daquele de quem é guia e, em algumas ocasiões, de pessoas próximas a ele. São classificados como espíritos de sabedoria no Livro dos Espíritos. São as entidades que temos contatos.

PROTETORES

A bondade é neles a qualidade dominante. Ficam satisfeitos em poder prestar serviço aos seres humanos e protegê-los, porém seus conhecimentos são limitados. Situam-se acima da condição geral média da humanidade e não mais apresentam apego às coisas do mundo material. Suas manifestações não apresentam grosserias, seja de expressão, seja de linguagem, e suas comunicações são bondosas e repletas de bons ensinamentos. São bastante atuantes através de trabalhos que exijam incorporação, utilizando o corpo de seus médiuns como instrumento para praticarem a caridade para as pessoas necessitadas, através de passes e consultas. 

São classificados como espíritos benévolos no Livro dos Espíritos. Esses são os espíritos que baixam em linhas e falanges sob o comando de outras, sãos espíritos auxiliares Baianos, Boiadeiros, Marinheiros e Ciganos.

SOCORRISTAS

São espíritos que começam seus trabalhos pela luz e pela lei, é o grau mais baixo, são espíritos que não incorporam, porem são grandes tarefeiros do bem que tem seu trabalho muito reconhecido, são como estagiários espirituais.

INDIFERENTES À LEI DE AMOR E CARIDADE

ATORMENTADOS

São espíritos que conservam muito vívidas a lembrança e a percepção dos sofrimentos da vida corpórea, sofrendo por esses males tanto quanto sofrem pela condição em se encontram no mundo espiritual. Por causa das lembranças tão nítidas da vida corpórea, em muitas ocasiões esses espíritos acabam obsediando pessoas pelas quais se afeiçoavam quando encarnados, buscando nessa proximidade uma forma de amenizar seu sofrimento, sem, no entanto, entenderem os males que daí decorrem. Suas manifestações são caracterizadas pela expressão de dor e a linguagem repleta de lamentos, notando-se claramente o desespero e o sofrimento pelos quais passam.

ZOMBETEIROS

São espíritos maliciosos, levianos e mistificadores. Como espíritos metem-se em tudo e a tudo respondem, sem se incomodarem com a verdade. Gostam de causar pequenos desgostos e ligeiras alegrias, de intrigar, de induzir maldosamente em erro, por meio de mistificações e de espertezas. Em suas comunicações a linguagem de que se servem é amiúde, espirituosa e faceta, mas quase sempre sem profundeza de idéias. Aproveitam-se das esquisitices e dos ridículos humanos e os apreciam, mordazes e satíricos. Quando tomam nomes de seres considerados superiores, o fazem mais por malícia do que por maldade. São classificados como espíritos levianos no Livro dos Espíritos.

PERVERSOS

Os espíritos perversos são aqueles que se dedicam ao mal por prazer, fazendo dele o objeto de suas preocupações. Como espíritos, dão conselhos pérfidos, semeiam a discórdia e a desconfiança. Suas manifestações são caracterizadas pela grosseria das expressões e da linguagem e suas comunicações exprimem a baixeza de seus pendores, denotando sua inferioridade moral. Tentam se mascarar de todas as maneiras para melhor enganar, podendo até mesmo falar com certa sensatez em algumas ocasiões, porém não conseguem sustentar por muito tempo o papel e acabam sempre por se traírem. Por ódio ao bem, quase sempre escolhem suas vítimas entre as pessoas bondosas, procurando induzi-las à perdição e a sucumbirem nas provações, de forma a retardar-lhes o progresso espiritual, o que lhes causa grande satisfação quando o conseguem. Quando encarnados se tornam flagelos para a humanidade, pouco importando a categoria social a que pertençam quando nessa condição.

São classificados como espíritos impuros no Livro dos Espíritos e como demônios, maus gênios ou espíritos do mal em várias religiões, onde são considerados divindades maléfica

terça-feira, 8 de julho de 2014

Conhecendo o seu Guia


   É muito comum no inicio das incorporações, quando estamos ansiosos, com medo, curiosos e inseguros para saber quem são nossas entidades, como trabalharam, seus nomes, etc… Todos nós médiuns passam por isso… Quando há as incorporações, o médium fica mais que atento a qualquer palavra que saia de sua boca “sou eu falando ou a entidade, o que vai acontecer agora, o que ele tá fazendo”... 

Tudo isso faz parte do inicio, pois ser consciente é perfeitamente normal e não é sinal de “falta de firmeza, ou imaturidade nas incorporações, ou fraqueza do médium. E é nessa fase onde o médium atua muito junto com a entidade, por sua participação, ‘interatividade” que é peculiar nesse inicio, ocorre maior incidência de uma interferência do médium, sobrepondo a da entidade.

Porém, com o passar do tempo, o médium vai ganhando confiança, vai aprendendo a ficar mais alheio das manifestações da entidades, pois para ele não terá mais mistérios e se reservará da total abstenção de qualquer tipo de interferência, inclusive de sua própria opinião do que a entidade deveria agir, falar ou conduzir numa consulta.

Muitas pessoas desistem no inicio, por não aceitar sua consciência e não conseguir trabalhar psicologicamente essa questão e achar que é ele ali e não a entidade. De não insistir e entender que as incorporações vão se firmando com o tempo. Pois nossa forma de trabalhar  é muitíssimo diferente do Candomblé e do Espiritismo. E para a Umbanda a afinidade e sintonia nas incorporações é de fato, mais demorada. 

Nesse processo de ajustes, equalizações deve-se estabelecer uma sintonia satisfatória, o médium deve entender que haverá sim erros, o seu sobrepor a própria entidade, o animismo, porque faz parte desses ajustes. Por isso o médium não deve ser permitido ao estar sob influência das entidades; beber, fumar e principalmente, dar consultas e atender o público, quando essa sintonia não se estabelecer de fato, avaliado pelo dirigente e guias chefes da casa.

Não é que não possa … é normal as entidades não darem nomes de suas falanges no inicio, pois o médium ainda não está preparado mediúnicamente falando… demora-se um tempo para estabelecer uma sincronia entre a faixa vibratória da entidade com a do médium e somente quando houver harmonia, e com menos risco de animismos por parte do médium, é que elas trazem sua falange.

Antes de tudo cada guia que incorpora é único, cada um é um espírito em particular, com seu jeito de agir e pensar. O nome de que se utilizam é apenas um indicativo da forma que trabalham em sua linha e irradiação. Por isso podemos ter vários espíritos trabalhando com o mesmo nome, sem que sejam por isso um só espírito. É como ser um médico, engenheiro, etc… Todos possuem um conhecimento comum, além do conhecimento individual. E isso faz com que trabalhem de forma diferente, mas seguindo a mesma linha geral. A mesma coisa acontece com nossos guias, então é comum escutar:

- Como é o Caboclo X?
- Me conte a estória do Preto Velho Y
- Como é o ponto riscado do Exú Z?

Isso pode ocasionar vários problemas no início do desenvolvimento, o médium lê uma descrição de que o Caboclo Y fuma. E ele fica com “isso” na cabeça, assim que chega no momento de trabalhar com o seu guia o Caboclo Y (também) pede um charuto, e a partir daí fica mais difícil de romper essa barreira anímica criada pelo médium.


Ou então o médium lê que o Exu Z quando incorpora ajoelha-se no chão, aí pensa, “nossa o que eu incorporo não ajoelha!!!” e começa a se sentir inseguro quanto a manifestação do seu guia, podendo com isso atrapalhar o seu desenvolvimento. Para resumir, a melhor forma de conhecer seu guia e através do tempo, do desenvolvimento e do trabalho com ele, assim, pouco a pouco você vai se inteirando de como ele é, como gosta de trabalhar, como age, etc.

sábado, 26 de abril de 2014

O Uso de "Ferramentas" Pelos Guias Espirituais


Muitos guias espirituais usam ferramentas para absorver energias condensadas, atrair ou projetar ondas vibratórias, descarregar os médiuns e os consulentes de energias negativas, etc. Para muitos que desconhecem os fundamentos da Umbanda, para os que estão iniciando na religião ou mesmo para aqueles que estão apenas visitando um terreiro para tomar um passe, as ferramentas utilizadas pelos guias aparentam ser apenas adereços e símbolos para chamar a atenção e tornar o ritual cheio de pompas. Mas tudo na Umbanda tem sua razão de ser e existir. Nada é por acaso. Antes de explicar para que servem as ferramentas utilizadas pelos guias espirituais, vamos conhecer algumas:

· Pretos/Pretas-velhas: cachimbo, bengala, rosário, terço, figa, crucifixo, lenço, xale, chapéu de palha, cigarro de palha, etc.
· Exú: tridente, corrente, marafo, charuto, cigarro, capa, cartola, guias de aço, etc.
· Pomba-gira: batom, cigarrilha, anéis, colares, saias, lenços, joias, etc.
· Caboclos de Oxóssi: penachos, cocares, arco e flecha, charuto, cuia, etc.
· Caboclos de Ogum: lança, espada, elmo, espada de São Jorge ou Ogum, etc.
· Caboclos de Xangô: oxé (machado de pedra de duas pontas), pedras, charuto, etc.
· Baiano: chapéu, cigarro de palha, badulaques, coco verde, facão, etc.
· Marinheiro: boné branco, copo com pinga, cigarro, cordas, etc.
· Boiadeiro: chicote, chapéu, cinto, lenço, etc.
· Obaluaye/Omulú: roupa de palha da costa, xaxará, pipocas, etc.
· Cigano: baralho, lenço, incenso, pedras, joias, almofadas, etc.
· Erês: brinquedos, bexigas, doces, bebidas, óculos coloridos, bonés, saias, etc.

Há outras linhas de trabalho nos terreiros, por isso enumeramos as mais conhecidas com apenas algumas ferramentas que cada uma delas utiliza, cada qual com sua devida utilidade não servindo apenas como mero adereço, como um batom, por exemplo.

Para que servem as ferramentas?

Algumas ferramentas como chapéus, cocares, capas, saias, etc., servem como proteção ao
médium girante; outras como bengalas, tridentes, espadas, flechas, etc., servem como um meio para descarregar o médium ou o consulente; e há também as ferramentas como incenso, joias, pedras, coco verde, doces, bebidas, etc., que servem para atrair e carregar o médium girante com energia positiva, ajudando no seu fortalecimento, equilibrando-o e acalmando-o. Não há uma regra com relação à função de cada ferramenta, pois os guias utilizam a mesma ferramenta para diversos usos, dependendo de sua vontade e do objetivo que ele quer atingir, como por exemplo, a bengala do preto velho pode descarregar o médium, mas também pode servir como meio para atrair energia positiva e carregar o médium.

Como são utilizadas as ferramentas?

Cada guia espiritual utiliza a ferramenta de acordo com seu fundamento e axé e há variação no uso ou no tipo de ferramenta até mesmo entre guias de mesma linha - como a linha de caboclos Pena Branca, onde um caboclo pode utilizar um cocar e outro utilizar apenas uma cuia com água e mel. O médium girante também influencia na escolha da ferramenta, pois o seu corpo é um transmissor e receptor de energias, mas a facilidade por onde “entra e sai” energia do seu corpo (que pode ser através das mãos ou dos pés ou da cabeça ou do tronco, etc.) é o que ajuda o guia a definir qual ferramenta utilizar.  

Para fazer o uso das ferramentas iremos descrever - com linguagem humana e pobre - como um (a) preto (a) velho (a) faz uso das mesmas:

I. Chapéu de palha, lenço, xale, etc.
a. Energia positiva: atrai bons fluídos e energia para a coroa do médium.
b. Energia negativa: protege a coroa do médium de vibrações negativas que estão no ambiente e ainda não foram processadas durante o ritual.

II. Cachimbo, cigarro de palha, cigarro, etc.
a. Energia positiva: o odor do fumo sendo queimado atrai bons fluídos ao médium e ajuda na concentração.
b. Energia negativa: queima os miasmas do corpo do médium e dos consulentes.

III. Rosário, terço, figa, crucifixo, guia de contas, etc.
a. Energia positiva: concentra energia positiva e fluído de essência divina para ser repassado ao médium ou aos consulentes. Também serve como meio para o médium se concentrar no trabalho do guia.
b. Energia negativa: concentra energia negativa que está no corpo do médium ou do consulente sendo descarregada quando a ferramenta é jogada ao chão ou quando ela quebra.

IV. Bengala, galho de guiné, etc.
a. Energia positiva: concentra energia positiva e fluído de essência divina para serem repassadas ao médium ou aos consulentes.
b. Energia negativa: concentra energia negativa que está no corpo do médium ou do consulente sendo descarregada quando a ferramenta é batida no chão.

V. Comidas e bebidas como café, bolo de fubá, mandioca, arroz, etc.
a. Energia positiva: concentra energia positiva e fluído de essência divina para ser repassado ao médium ou aos consulentes.
b. Energia negativa: concentra energia negativa que está no corpo do médium ou do consulente sendo descarregada quando descartado (cuspido) no “cuspidor”.

VI. Tapete de folhas, tapete de palha, chinelo de palha, etc.
a. Energia positiva: concentra energia positiva e fluído de essência divina localizado no congá para ser repassado ao médium ou aos consulentes.
b. Energia negativa: concentra energia negativa que está no corpo do médium ou do consulente sendo descarregada quando o guia bate os pés e ou as mãos contra a ferramenta ou contra o chão.

Para deixar bem claro, quem direciona o tipo de energia, positiva ou negativa, para a
ferramenta é o guia espiritual, pois é ele que está visualizando o excesso ou a falta dessas energias, é ele que sabe como manipular essas energias, sem afetar o médium ou o consulente. Mas quem é que define as ferramentas que os guias utilizarão nos trabalhos? Os próprios guias!

Por mais “legais e belas” que achemos algumas ferramentas, e até gostaríamos de presentear nossos guias, somente os guias é que pedirão, ou não, as ferramentas. Somente os guias é que sabem quais as que eles mesmos utilizam e se são ou não necessárias. Há casos em que alguns terreiros proíbem o uso de ferramentas pelos guias, mas é claro que os guias sabem dessa “proibição” e por isso, manipulam as energias de outras maneiras, reforçando o seu direcionamento para assentamentos ou para o altar, por exemplo.

E se o médium girante quiser presentear um guia espiritual com uma ferramenta?     ou E se um consulente presentear o guia espiritual de um médium com uma ferramenta?

Quando decidimos presentear um guia espiritual que trabalha conosco, através do uso de
nossa mediunidade, o melhor que se tem a fazer é perguntar para ele (ou pedir para que outra pessoa pergunte para o guia) se o presente será útil ou será uma coisa para atrapalhar. Acredite:

se o guia precisar de uma ferramenta ele pedirá ao médium ou ao cambono do médium girante, e às vezes, o que chamamos de “intuição”, como num caso desses, pode ser apenas uma “vaidade” de nossa parte. Todo cuidado é pouco. 

Se um consulente resolve presentear o guia espiritual devemos ter em consciência o seguinte caso: a consulta com o guia espiritual é gratuita, logo um presente pode caracterizar, indiretamente, como pagamento por um “serviço bem feito”. A vaidade do médium também pode ser exacerbada com este ato. O procedimento neste caso é: alertar para que os consulentes não ofereçam presentes aos guias espirituais, mas caso aconteça, o consulente deve oferecer o presente diretamente para o guia que saberá o que fazer com o presente.

Para finalizar, uma dúvida de muitas pessoas é: uma guia de contas estourou durante a gira, isso foi um descarrego?

Sim e não. Sim se o médium estava muito carregado negativamente e a única ferramenta que estava em seu poder era a guia de contas, daí, em decorrência do excesso de energia ela pode estourar. Porém não é sempre que uma guia de contas estoura em decorrência do excesso de energia. O médium constantemente molha a guia de contas em banhos de firmeza, amaci e até mesmo com o próprio suor. Alguns colocam as guias para energizar com a luz solar ou com a luz lunar. Esse processo de molhar e secar a guia por diversas vezes faz com que o fio de nylon da guia de contas não suporte tanta variação e quebre, e claro, como o médium só utiliza a guia de contas em dias de gira, é nesse momento que vai haver o “estouro” da mesma, e isso não é descarrego.