A um médium é solicitado que conheça o mínimo indispensável para que
possa realizar as práticas de Umbanda e seus rituais. Também é exigido
que estude um pouco, porque só assim, entenderá tudo o que acontece
dentro de um templo durante a realização das giras de
trabalho. segundo Rubens Saraceni
A palavra “passe” tem origem no Espiritismo, codificado por Allan
Kardec, e traz a idéia de “passar” ou “transmitir” algo a alguém.
Pode-se dizer, sem receio de errar, que há, nesses fluidos, ondas e raios de pensamentos, que se cruzam sem se confundirem, como há no ar ondas e raios sonoros… O pensamento do encarnado atua sobre os fluidos espirituais como o dos desencarnados; transmite-se de Espírito a Espírito pelo mesmo veículo, e, conforme sua boa ou má qualidade, saneia ou vicia os fluidos circundantes… No “Passe Espírita” o médium manipula estes fluidos por meio de técnicas que foram se desenvolvendo com o tempo. Aqui no Brasil devemos, principalmente, a Bezerra de Menezes e Edgard Armond, o método já consagrado e largamente utilizado em boa parte dos “Centros Espíritas”.
O “Passe Umbandista” não é apenas um “passe magnético” ou material e sim
um “Passe Espiritual”, aplicado por um espírito. Assim como Edgard
Armond classificou diferentes métodos de aplicação do Passe Magnético
para diferentes necessidades, também os espíritos que se manifestam na
Umbanda aplicam métodos variados de acordo com a necessidade de cada
consulente, dentro dos variados recursos que cada espírito guia,
entidade ou mentor possui. Sem esquecer que cada um recebe na medida de
seu merecimento e afinidade, podendo um encarnado bloquear uma ação
positiva direcionada a ele mesmo como consequência de sua postura
mental.
Pois muitos merecem, mas não estão abertos emocionalmente ou
psicologicamente para receber o que a espiritualidade lhe oferece, por
vários motivos como descrença, irritação, mentalidade critica e posturas
interesseiras desfocadas de um objetivo espiritual.
“Para que os passes magnéticos produzam melhor efeito, é necessário que,
previamente, o operador estabeleça laços fluídicos de simpatia,
solidariedade e confiança entre si e o doente; qualquer sentimento de
antipatia, temor ou desconfiança de qualquer deles, impedirá o fluxo
natural e espontâneo dos fluidos entre ambos."
O “Passe Umbandista”, para além de “Passe Espiritual”, pode ser definido
como a aplicação de um conjunto de técnicas mágico-religiosas, além de
explorar todos os recursos possíveis de imposição de mãos, utiliza
elementos e técnicas variadas e até inusitadas.
“Porém, enquanto nos centros espíritas usa-se o passe magnético, nos
centros de Umbanda também se recorre aos passes energéticos, quando são
usados diversos materiais (fumo, água, ervas, pedras ou colares, etc.)
que descarregam os acúmulos negativos alojados nesses campos
eletromagnéticos. Nem sempre o que parece folclore ou exibicionismo
realmente o é.
Também é possível
identificar métodos complexos de Magia Riscada (Magia de Pemba), abrindo
espaços mágicos (Pontos Riscados) que muitas vezes lembram Mandalas do
Hinduísmo ou mesmo Fórmulas Cabalísticas da Real Arte Simbólica e
Mística Hebraica entre outras práticas de Ocultismo e Hermetismo. Entre
os elementos mais utilizados podemos identificar velas, água, óleo,
pedras, essências, fumo, ervas, tecidos, ponteiros e a citada pemba (giz
utilizado para traçar símbolos), dentro de um ambiente de terreiro,
mágico-religioso por natureza.
Nos métodos se observam rezas, orações,
preces, evocações, invocações, determinações e formulas
mágico-religiosas associadas a banhos, defumações, oferendas e outros.
Todos estes recursos estão mais ou menos associados ao “Passe
Umbandista”, no qual se cria um ambiente de Som, Cores, Aromas e Luzes,
capaz de inebriar de forma positiva todos os cinco sentidos do
consulente a fim de conduzi-lo a certo estado de consciência desejado.
Durante o “Passe Umbandista” observamos a entidade espiritual fazer a
imposição de mãos, segurar velas direcionadas aos chacras ou traçando
movimentos no ar, colocam colares (guias) no pescoço do consulente ou o
colocam dentro da mesma em circulo no chão. Atiram ponteiros em pontos
riscados, fazem gestos rituais e movimentos com os pés e mãos que nos
faz crer na “Magia Gestual”. Em meio a tantos recursos, que nos encantam
e fascinam, nos chama a atenção, em especial, o estalar de dedos, bem
característico em quase todas as linhas de trabalho. Muitas pesquisas e
especulações já foram realizadas sobre esta prática, entre elas são
identificadas as energias que existem na ponta de cada um dos dedos da
mão, que são pequenos chacras ou vórtices de energia, e o
“choque” vibratório desencadeado no ar quando o dedo médio estala sobre
a região da mão chamada de “monte de Vênus”, causando vibração astral e
sonora o que desperta certa energia dentro do campo em que está
atuando.
Este “Estalar de Energias” pode assumir contextos vaiados de acordo com o
que esteja associado, por meio do pensamento ou movimentos. Além deste
contexto pode-se usar o estalar de dedos como um simples gesto de
descarregar as energias absorvidas pelas palmas das mãos.
Um caboclo ou
outro espírito guia eleva sua mão ao alto (ou ao lado) buscando certa
energia que será irradiada ao consulente, num movimento rápido, ao mesmo
tempo em que transmite esta energia positiva, retira os eflúvios
negativos e os “descarrega” com um estalar de dedos. Os movimentos
longitudinais, transversais e circulares também foram descritos na obra
de Edgard Armond, em que:
Os passes longitudinais movimentam os fluidos, os transversais os
dispersam e os circulares e as imposições de mãos os concentram, o mesmo
sucedendo com o sopro quente. Este ultimo merecendo ainda um estudo à
parte.
No entanto pode-se associar procedimentos mais ou menos magísticos com
os mesmos, ou seja a relação entre estalos e números com o poder de
realização que cada um deles possui, aplicando-se sequencias de estalos
que podem variar, por exemplo, de 2×3,3×3,4×3 ou ainda estalos que
desenham formas geométricas no ar.
Lembrando que a aplicação de símbolos
associados a idéias e intenções, com suas respectivas invocações é a
mais explicita “magia simbólica”, encontrada nas mais variadas culturas.
Assim sequencias de estalos “desenham” no ar, cruzes, estrelas e
círculos; firmando ou estabelecendo pontos e espaços vibratórios, aos
quais podem ter função nesta realidade ou abrir portais para outras
realidades. Fica aqui um comentário final sobre a importância do
estudo, não para complicar o que é realizado de forma tão simples por
nossos guias de Umbanda, mas com a finalidade de compreendermos o que
eles realizam, com a consciência de que eles sim estudam e estudaram
muito para realizar este trabalho espiritual.
Não estudamos por um
movimento do Ego ou para substituir a presença dos mesmos, mas para lhes
oferecer maiores recursos psíquicos, espirituais e materiais. Estudamos
para ver o quanto somos ainda “neófitos” (aprendizes) nesta senda, em
que Caboclo (a), Preto Velho(a), Baiano(a), Boiadeiro(a), Marinheiro(a), Cigano(a), Exu e Pomba Gira são nossos Mestres.
"Créditos: Teologia de Umbanda Sagrada – EAD – Curso Virtual"
MINISTRADO POR ALEXANDRE CUMINO

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