terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Salve Oxóssi - Rei das Matas!

O dia 20 de Janeiro é o dedicado a “Oxóssi”, um dos orixás mais populares no Brasil, padroeiro da linha dos Caboclos, sincretizado com São Sebastião. Dentre os  antigos escravos, poucos dos que cultuavam Oxóssi sobreviveram ao tráfico negreiro e ao cativeiro, mas o culto ao orixá foi preservado no Brasil e em Cuba. Na Umbanda, religião brasileira, é o patrono da linha dos CaboclosOxóssi é o rei das matas e seu culto sofreu muitas variações. O símbolo do arco-e-flecha o associa ao santo católico São Sebastião, que escapou da morte a flechadas.
Okê arô Oxóssi!
Este orixá veste ora verde, ora o azul claro, representa também o princípio primordial da escalada espiritual do homem: o trabalho; o treinamento e luta diários do caçador pelo seu sustento.
O sincretismo com São Sebastião:
São Sebastião era um soldado que queria resgatar a fé dos corações cristãos enfraquecidos diante das torturas nas mãos do Império Romano, apesar de estar a serviço desta mesma Guarda Imperial e muito próximo dos imperadores.
Mas foi exatamente sua compaixão e sua conduta branda para com os prisioneiros cristãos o que o levou a julgamento e condenação como traidor. Foi executado a flechadas, mas não morreu. Foi encontrado e socorrido pela Santa Irene, mas ao apresentar-se novamente diante do Imperador Diocleciano a condenação foi espancamento. Seu corpo foi jogado no esgoto romano, mas Santa Luciana o resgatou, limpou e sepultou.
São Sebastião foi personagem principal de muitas obras de arte da Baixa Idade Média e o maior foco nas pinturas era sua primeira execução. O símbolo da flecha, ou do arco-e-flecha, é também símbolo do orixá Oxóssi, rei das matas e caçador.
Pisa macio, mas é certeiro. Tem um gosto refinado. Gosta das coisas boas, veste-se bem  e cuidadosamente.
Tudo que pertence à Natureza, especificamente as matas e o reino animal têm a ação de Oxóssi. Ele que é o conhecedor das ervas e o grande curador. É a essência da nossa vida.
Seus filhos têm um tipo calmo, amoroso, encantador, preocupado com todos os problemas. Um grande conselheiro pelo seu gênio alegre, muito embora com forte tendência à solidão. Incapaz de negar qualquer ajuda a alguém, sabe, como poucos, organizar o caminho para as soluções complicadas. Com respeito à sua própria organização familiar, são muito apegados as suas coisas e à sua família, à qual dedica atenção total no sentido de provê-la e encaminhá-la. Diante as dificuldades próprias é muito hesitante, mas acaba vencendo, sustentado pelo seu interior alegre e otimista. É carente. Não assume os problemas dos outros, mas fica lado a lado ajudando-os. Ama a Liberdade e a Natureza. O mato, as águas, os bichos, as estrelas, o sol e a lua, são a bússola de sua vida. Não discute a fé. Acredita e é fiel seguidor da religião que escolheu. Não é ciumento e muito menos rancoroso.
Quando atacado custa revidar. Quando o faz se torna perigoso. É, neste particular, ladino como os índios. Pisa macio, mas é certeiro. Tem um gosto refinado. Gosta das coisas boas, veste-se bem e cuidadosamente. Os filhos de Oxóssi são talvez os mais equilibrados. Para que suas vidas melhorem, devem despertar aquele gigante que habita sua essência, o que os tornaria mais dispostos a encarar as suas próprias dificuldades.

COR: Verde e Branco
AMALÁ: 7 velas verdes e 7 brancas, cerveja branca em coité, 7 charutos, peixe com escama de água doce ou uma moganga bem assada com milho dentro coberto com mel.
ENTREGA: Na entrada da mata (obs. a mesma de ogum)
ERVAS: Malva Rosa, Mil Folhas, Sete Sangrias, Folhas de Aroeira, Folhas de Fava de Quebrante, Folhas de Samambaia, Folhas de Palmeira, Folhas de Laranjeira, Erva Cidreira, Folhas de Jurema, Folhas de Maracujá, Folhas de Palmito, Folhas de Abacateiro

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO!

DESEJAMOS A TODOS QUE NOS ACOMPANHAM UM FELIZ NATAL, JUNTAMENTE COM SUAS FAMÍLIAS, E UM ANO NOVO REPLETO DE GRANDES REALIZAÇÕES.

ATÉ 2016!




sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A História e Uso do Pó de Pemba


Segundo muitos pesquisadores, a pemba foi trazida pelos bantos, que já a faziam para seus ritos religiosos na África. Esta teoria é reforçada segundo o dicionário de termos afro-brasileiros de Nei Lopes, pelo fato de que a palavra pemba significa cal em kimbundo, e mpemba é o termo para giz em kikongo. A pemba legítima é importada da África.

Efun mineral: é um pó retirado de calcário, que são encontrados na natureza em várias cores, também chamada de tabatinga. É utilizado na feitura de santo que serve para pintar o corpo do neófito, chamada de efum fum (pó branco).

O que torna essas pembas vindas da África tão especiais é o fato de que os artesãos entoam cânticos religiosos para consagrá-las enquanto realizam todas as etapas de sua produção: o minério extraído das jazidas de cal é pulverizado, misturado com corantes e cola, modelado e embrulhado em folhas de bananeira, depois de seco.

O Efun (barro branco encontrado no fundo dos rios); foi o primeiro condimento utilizado antes da introdução do Sal. Muito usado em Ebós elaborados para aos Orixás. O efun simboliza o dia, por isso, quando em pó, seja soprado ou friccionado seco é utilizado com o objetivo de expandir, vitalizar, iluminar, clarear, despertar, avivar, já o Efun molhado com água pura ou com o soro do Igbin, é utilizado para acalmar, tranqüilizar, adormecer, suavizar, abrandar, repousar, proteger. Por isso que a cabeça do Yawo em reclusão deve permanecer coberta de pó de Efun no dia, e durante a noite coberta com Waji e pequenas marcas de Efun. 

Efun vegetal: é um pó retirado de frutos tipo: obi, orobo, aridan, pichurin, nós-moscada e folhas sagradas.  A mistura do efun mineral e o efum vegetal recebe o nome de Atin e dentro de algumas tradições ele só deve ser preparada pela iyaefun ou iyalorixá, ou sacerdote do culto.

Efun animal: é um pó retirado de ossos e cartilagens dos animais utilizados em sacrifícios aos Orixás. Nas tradições africanas, esta extração deve ser feita pelo axogun ou babalorixá, entrando na preparação de assentamento de Orixá. O pó de pemba é muito eficaz enquanto prática magística, pois raramente deixa sinais de seu uso, o que é conveniente, especialmente quando o encantamento se destina a pessoas que não devem ter conhecimento de seu uso.

A pemba ralada é usada como um dos ingredientes que compõem muitos Afoshés ou pós mágicos, embora existam pós feitos sem pemba, podendo esta ser substituída por barro de rio ou outro tipo de terra, misturado com ervas, sementes, partes de animais e outros ingredientes, com variações decorrentes da influência dos valores culturais dos diversos povos que formaram as tradições religiosas e mágicas brasileiras. Em decorrência de sua origem, esses pós também são chamados "pembas", mesmo quando não são feitos com o giz pulverizado, legitimamente africanos.

domingo, 24 de maio de 2015

Festa em Homenagem aos Preto-Velhos!


Salve o dia 24 de Maio - Salve o Povo Cigano!


SALVE SANTA SARAH KALI!

Dentro da Umbanda temos uma legião de Entidades que nos ajudam em diversas causas, entre elas estão as legiões dos Ciganos, que são um povo escolhido por Oxalá para, com sua sabedoria e amizade, nos ajudar em algumas causas espirituais ou pessoais que tanto nos afligem nos dias de hoje.

Antes de falar dos Ciganos propriamente dito, gostaria de falar um pouco sobre Santa Sara Kali, que é a padroeira dos Ciganos e também de tantas pessoas que mesmo sem o sangue Cigano, tem no  espírito a magia desse povo maravilhoso.

O dia de Santa Sara, que é vista como a "Princesa da Beleza Negra", é comemorado no dia 24 de maio, e abaixo vamos ver a história de Santa Sara Kali.

Histórias ou Lendas sobre Santa Sara.

Segundo alguns historiadores, por volta dos anos 50 d.c, uma embarcação teria cruzado os mares a partir de terras Palestinas levando a bordo para fugir das perseguições de Roma aos primeiros cristãos... [mardecoruripe] Os primeiros cristãos seria um grupo de personagens bíblicos: Maria Jacobina ou Jacobé, irmã de Maria, mãe de Jesus, Maria Salomé, mãe dos apóstolos Tiago e João, Maria Madalena, Marta, Lázaro, Maximiliano e Sara, uma negra serva das mulheres santas e aportado em uma pequena ilha situada em águas do Mediterrâneo. Milagrosamente, a barca sem rumo e à mercê de todas as intempéries, atravessou o oceano e aportou com todos salvos em Petit-Rhône, hoje a tão querida Saintes-Maries-de-La-Mer. Sara cumpriu a promessa até o final dos seus dias. Sara teria sido uma das primeiras convertidas ao cristianismo e morrido a serviço de suas companheiras de viagem.

Uma outra versão contada é que Sara era uma escrava egípcia de uma das três Marias, Madalena, Jacobé ou Salomé; e junto com José de Arimatéia, Trófimo e Lázaro foi colocada, pelos judeus, em uma barca sem remos e alimentos. Desesperadas, as três Marias puseram-se a orar e a chorar. Aí então Sara retira o diklô (lenço) da cabeça, chama por Kristesko (Jesus Cristo) e promete que se todos se salvassem ela seria escrava de Jesus, e jamais andaria com a cabeça descoberta em sinal de respeito (acredita-se que deste gesto de Sara Kali tenha nascido a tradição de toda mulher cigana casada usar um lenço que é a peça mais importante do seu vestuário: a prova disto é que quando se quer oferecer o mais belo presente a uma cigana se diz: Dalto chucar diklô (Te darei um bonito lenço)). Talvez por um milagre, ou por obra do destino, eles chegaram a salvo a uma praia próxima a Saintes Maries de La Mer. Depois de muitos dias, o barco foi resgatado por moradores de uma vila próxima aos arredores da costa marítima. Todos, por serem brancos, foram acolhidos, exceto Sara, por ser escrava (egípcia) e negra. Um grupo de ciganos a fez, pois estavam nas proximidades e presenciaram o fato. Sendo assim, passaram a cuidar de Sara, que, com sua morte, posteriormente, os mesmos passaram a recorrer com pedidos à mesma, por ter sido uma pessoa querida em vida, e esta, os atendeu em espírito, realizando milagres. A partir disso, Sara se tornou Mãe e Rainha dos Ciganos, honrando-os e protegendo-os. O surgimento de sua capela - foi criada após a sua morte. Quando veio à falecer, os Ciganos foram até a igreja da vila pedindo que seu funeral se realizasse na mesma. Devido ao preconceito, os católicos da época recusaram. A partir de então, foi feito uma espécie de gruta/igreja para Sara, visitada até os dias de hoje. Quando em 1935 a Igreja tirou Sarah de sua Cripta, muitos ciganos se aplicaram à prova do punhal (punhal avermelhado no fogo sobre a veia do pulso). Diz-se que o Sol queimou o olhar de Sarah.

Quando o número de ciganos aumentou, a Cripta não deu para todos, e foi feito um acordo entre um gadjo chamado "Marquês de Baroncelli" e um cigano chamado "Cocou Baptista", um chefe cigano muito influente. Até um certo tempo o acordo foi cumprido, mas os seus sucessores não levaram o trato a diante. Este chefe cigano foi usado, simplesmente um instrumento do gadjo, ele foi renegado e expulso pelo povo cigano. Os ciganos de origem Calon, com o passar dos anos, alteraram algumas palavras da língua regional do povo cigano. Devido a estas alterações, houve algumas modificações idiomáticas no significado das palavras. Entre elas, podemos citar a palavra Kalin, que em Calon representa a palavra "cigana". Já para os ciganos que ainda preservam a língua regional, Kali representa negra. Há algum tempo, existe esta confusão idiomática, envolvendo a cor da pele da Santa. Para os Calons, seria Santa Sara Kalín (a cigana) e não Santa Sara - a negra. Paralelamente, a história de Sarah chegou à Índia, onde os ciganos a associaram à deusa Kali, negra, poderosa, transformadora.

Outra versão conta que Sara era moradora de Camargue e teve piedade das Marias, resolvendo ajudá-las. Também dizem que ela era uma rainha das terras de Camargue ou uma sacerdotisa do antigo culto celta ao deus Mitra. Uma das explicações para estas histórias é que em Camargue existiram várias colônias de antigas civilizações, como a egípcia, a cretense, a fenícia e a grega. Por isso, muitos poetas e menestréis contaram a história de Sara, de acordo com o que ouviram de seu povo, e assim, o mito em torno dessa poderosa santa foi difundido pelo mundo e ela continua, até hoje, a ser adorada entre as comunidades ciganas. Nos dias atuais, a santa padroeira dos ciganos é comemorada com muitos rituais e tradições por mais de 15 milhões de ciganos espalhados em diferentes pontos da Europa, Ásia, África, Austrália e Nova Zelândia. Para preservar a história original de Santa Sara Kali, é necessário lembrar que a igreja católica santificou-a como SANTA e, que é dessa forma que o povo cigano a cultua (e não em rituais).

Aqui no Brasil, Santa Sara divide a preferência dos ciganos brasileiros com Nossa Senhora Aparecida e São Jorge Guerreiro. Os ciganos brasileiros adoram Nossa Senhora de Aparecida, talvez por causa de sua cor, e muitos a equiparam à Santa Sara Kali. Se não têm a imagem dela, por ser difícil encontrá-la, por certo possui em sua Thiera (barraca) ou casa uma imagem de Nossa Senhora de Aparecida. Às vezes têm as duas. Certo é que ela é a mais venerada Santa para os ciganos e todo acampamento cigano conduz uma estátua da virgem negra depositada num altar de uma das tendas cercadas por velas, incenso, flores, frutas e alimentos.

Além de trazer saúde e prosperidade, Sara Kali é cultuada também pelas ciganas por ajudá-las diante da dificuldade de engravidar. Para as mulheres ciganas, o milagre mais importante da vida é o da fertilidade porque não concebem suas vidas sem filhos. Quanto mais filhos a mulher cigana tiver, mais dotada de sorte ela é considerada pelo seu povo. A pior praga para uma cigana é desejar que ela não tenha filhos e a maior ofensa é chamá-la de DY CHUCÔ (ventre seco). Talvez seja este o motivo das mulheres ciganas terem desenvolvido a arte de simpatias e garrafadas milagrosas para fertilidade. Muitas que não conseguiam ter filhos faziam promessas a ela, no sentido de que, se concebessem, iriam à cripta da Santa, fariam uma noite de vigília e depositariam em seus pés como oferenda um diklô (lenço), o mais bonito que encontrassem. E lá existem centenas de lenços, como prova que muitas ciganas receberam esta graça.

As mulheres ciganas também confeccionam saias, com as quais vestem a imagem da Santa.
A proteção de Sarah confere às pessoas emanações sempre benéficas que representam simbolicamente o ventre da sua mãe, seu sorriso, a irmã e a rainha: a "phuri dai" secreta dos Roms. Dizem que a pessoa de bom coração consegue ver o sorriso na estátua de Santa Sara. Verá que tanto seu sorriso como o dela estarão diferentes. Para os ciganos a estátua de Sara está carregada. Nela se condensam as energias sutis de muitas gerações de ciganos feiticeiros. Ela sempre atende a todos, principalmente às pessoas que têm a intuição mais desenvolvida e usam os oráculos como forma de divinação. É de costume festejar as slavas (promessas ou comemorações em homenagem a algum santo). A Slava de Sara Kali é nos dias 24 e 25 de maio. A Slava de Nossa Senhora de Aparecida coincide com a comemoração dos gadjés, a 12 de outubro. Na Slava, é oferecido um banquete ao santo homenageado, onde é colocado o Santo do Dia no centro da mesa, em lugar de destaque e junto a Ele, um manrô (pão) redondo, que é furado no meio e onde coloca-se um punhado de sal junto com a vela. Esse pão é posto em uma bandeja cheia de arroz cru, para chamar saúde e prosperidade e, ao término do almoço, ele é dividido entre os convidados pelos donos da casa, junto com essas palavras de bençãos: THIE AVÊS THIAILÔ LOM, MANRÔ TAI SUNKAI (Que você seja abençoado com o sal, com o pão e com ouro).

Sabendo-se que os Ciganos admiravam muito Santa Sara Kali, a tradição de homenagear essa linda "Princesa Negra", cresceu também por entre a religião Umbandista, pois dentro da Umbanda se tem um grande respeito pelo povo Cigano e por suas magias.

 
Conhecendo os Ciganos e Ciganas no mundo dos espíritos.

Essas Entidades Pertencem à uma linha de trabalhadores espirituais que busca seu espaço próprio pela força que demonstram em termos de caridade e serviços a humanidade. Seus préstimos são valiosas contribuições no campo do bem-estar pessoal e social, saúde, equilíbrio físico, mental e espiritual, e tem seu alicerce em entidades conhecidas popularmente como "encantadas".

São entidades que há pouco tempo ganharam força dentro dos rituais da Umbanda . Erroneamente no começo eram confundidos com entidades espirituais que vinham na linha dos Exus, tal confusão se dava por algumas ciganas se apresentarem como Cigana das Almas, Cigana do Cruzeiro ou nomes semelhantes a esses utilizados por Exús e Pombos-Gira.

Hoje, o culto está mais difundido, se sabe e se conhece mais coisas sobre essas entidades, chegando algumas casas a terem um ou mais dias específicos para o culto aos espíritos ciganos. Não tem na Umbanda o seu alicerce espiritual, como dissemos; Amor incondicional à proteção da natureza. Encontraram na Umbanda um lugar quase ideal para suas práticas por uma necessidade lógica de trabalho e caridade. Na Umbanda passaram a se identificar com os toques dos atabaques, com os pontos cantados em sua homenagem e com algumas das oferendas que são entregues às outras entidades cultuadas pela Umbanda. Encontraram lá, na Umbanda, uma maneira mais rápida de se adaptarem a cultos e é por isso que hoje é onde mais se identificam e se apresentam. São entidades oriundas de um povo muito rico de histórias e lendas, foram na maioria andarilhos que viveram nos séculos XIII, XIV, XV e XVI.

Tem na sua origem o trabalho com a natureza, a subsistência através do que plantavam e o desapego as coisas materiais. Dentro da Umbanda seus fundamentos são simples, não possuindo assentamentos ou ferramentas para centralização da força espiritual. São cultuados em geral com imagens bem simples, com taças com vinho ou com água, doces finos e frutas solares. Trabalham também com as energias do Oriente, com cristais, incensos, pedras energéticas, com as cores, com os quatro sagrados elementos da natureza e se utilizam exclusivamente de magia branca natural, como banhos e chás elaborados exclusivamente com ervas.

Diferentemente do que pensamos e aprendemos, raramente são incorporadas, preferindo trabalhar encostadas e são entidades que devem ser cultuadas na direita, pois quando há necessidade de realizarem qualquer trabalho na esquerda, são elas que se incumbem de comandar as entidades ciganas que trabalham para este fim, por isso, não precisam de assentamentos. Por isso tudo fica evidenciado que são entidades que trabalham exclusivamente para o bem. Santa Sara Kali é sua orientadora para o bom andamento das missões espirituais. Não devemos confundir tal fato com Sincretismos, pois Santa Sarah é tida como orientadora espiritual e não como patrona ou imagem de algum sincretismo.

Ciganos na Umbanda são espíritos desencarnados homens e mulheres que pertenceram ao povo cigano . Os ciganos em geral, tem seus rituais específicos e cultuam muito a natureza, os astros e ancestrais. A santa protetora do povo cigano é "Santa Sara Cali". Dentro da Umbanda , trabalham para o progresso financeiro e para as causas amorosas. Cheios de simpatias espirituais, os espíritos ciganos trabalham para a cura de doenças espirituais. Os ciganos, dentro da ritualística umbandista, falam a língua "portunhol", alguns, poucos, falam o romanês , língua original dos ciganos. As incorporações acontecem geralmente em linha própria, mas nada impede que eles possam a vir trabalhar na linha de Exú .

São muito altivos, assertivos no que falam, seguros de si, do que enxergam e acreditam. É um povo de muita fé e credibilidade. De muito domínio e poder. São donos de uma sensualidade natural e nunca barata, envolventes pelo alto nível de carisma e amor ao próximo. Estão sempre prontos a auxiliar aqueles que o invocam e necessitam de sua ajuda. São exímios apreciadores de licores, vinhos, ouro, prata, tecidos, amantes da arte, donos de uma sensibilidade ímpar. Muitos são clarividentes natos e muito zelosos com aqueles que estimam.

Dentro da Umbanda se tem muitas vezes um desacordo entre o entendimento no que se refere a Ciganos e Ciganas do Oriente e Exús Ciganos e Pombo Gira Ciganas. Na verdade tanto os Ciganos ditos do Oriente e os Ciganos ditos das linhas de esquerda (Exús e Pombo Giras), tiveram em sua vida terrena a mesma concepção regrada pelos preceitos ciganos, contudo os que chamamos hoje dentro da Umbanda como os "Ciganos do Oriente", refere-se aos Ciganos que por toda a vida encarnada se fizeram membros de um clã, sem abandonar esse grupamento, vivendo assim toda a encarnação dentro dos preceitos desse clã, e os que conhecemos dentro da Umbanda como "Exús Ciganos" e Pombo Gira Ciganas", numa determinada época abandonaram esses clãs e se aventuraram a conhecer outras culturas e outros povos, aprendendo assim a não seguir somente as regras de um determinado clã.
    O Povo Cigano dentro da Umbanda, independente de vir dos preceitos dos clãs ou fora deles, é um povo caridoso que devemos respeitar e sentir orgulho quando esses nos tornam protegidos e guardados por eles.

 Oração de Santa Sara Kali


Santa Sara, minha protetora, cubra-me com seu manto celestial. Afaste as negatividades que porventura estejam querendo me atingir.
Santa Sara, protetora dos ciganos, sempre que estivermos nas estradas do mundo, proteja-nos e ilumine nossas caminhadas. Santa Sara, pela força das águas, pela força
da Mãe-Natureza, esteja sempre ao nosso lado com seus mistérios.

Nós, filhos dos ventos, das estrelas, da Lua cheia e do Pai, só pedimos a sua proteção contra os inimigos.
Santa Sara, ilumine nossas vidas com seu poder celestial, para que tenhamos um presente e um futuro tão brilhantes, como são os brilhos dos cristais.

Santa Sara, ajude os necessitados; dê luz para os que vivem na escuridão, saúde para os que estão enfermos, arrependimento para os culpados e paz para os intranquilos.
Santa Sara, que o seu raio de paz, de saúde e de amor possa entrar em cada lar, neste momento.

Santa Sara, dê esperança de dias melhores para essa humanidade tão sofrida. Santa Sara milagrosa, protetora do povo cigano, abençoe a todos nós, que somos filhos
do mesmo Deus. Que assim seja!


  Salve nosso Povo Cigano, Salve Santa Sara Kali. 
 ARRIBA  POVO CIGANO!

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Dia 13 de Maio, dia dos Preto-Velhos!


Eu Adorei as Almas!
Preto Velho vem chegando, vem chegando o Preto Velho! Ele é africano, ele é africano! Vem de Congo, vem de Angola,vem lá da Costa, vem de Guiné, vem da Bahia também, vem de todo lugar!
Preto Velho vem chegando,vem chegando de mansinho, corta o ar e corta a terra, vem com sua mironga cortar!
Preto Velho vem chegando, chegando pelas Sete Linhas, ele anda com Ogum, anda com Oxóssi, anda com Xangô. Ele vem com as Iabás, e ele vem com Seu Omulu. Ele chega com as Almas, vem com Almas, Almas Benditas, ele vem trazendo seu pito, sua pemba e seu o rosário, vem com sua reza santa, distribuindo a sua Luz!
Preto Velho vem das matas, das matas de Aruanda ele vem, Preto Velho vem pelo mar, Salve o Velho Beira-Mar!
Salve Pai Benedito, Pai Antônio, Pai José. Salve Pai Joaquim, Pai Cipriano e Pai Serafim! Salve Vovó Catarina, Vovó Conga e Vovó Cambinda. Salve Vovó Maria Redonda, Vovó Maria e a Vovó Joana!
Preto Velho vem chegando, derramando suas Bençãos, nos liberta das correntes, perfumando seu congá. Vem soltando sua fumaça, desenhando os seus pontos, vai cruzando os seus filhos, desmanchando as demandas!
Preto Velho é Protetor, é Professor e Contador, suas histórias embelezam o terreiro, terreiro de Nosso Senhor! A gente se ajoelha, Preto Velho, a gente agradece, pelo seu dia e todo dia, a gente nunca esquece sua prece!
A gente só agradece, tanta benção, tanta bondade! Faça chuva, faça tempestade, Preto Velho vem trabalhar. A gente só pede maleime, pois merece muito mais, mas essa singela homenagem, vem de seus filhos de Paz!
Adorei as Almas!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

O Que são as Encruzilhadas?


Muito se fala em encruzilhadas, mas pouco se entende. E isto nos faz lembrar o advento da Umbanda anunciada pelo Caboclo das 7 Encruzilhadas. Esse conhecimento se deturpou com os interesses escusos, onde o que é oculto tende a se desfigurar quando os propósitos não são para o bem do Universo. Podemos encontrar as Encruzilhadas nos opostos ilusórios necessários para a evolução dos filhos da Terra, como por exemplo, o “dia” e a “noite”.

E onde ela está? Nem no “dia” e nem na “noite”. Estaria, então, na “tarde”? Também não, pois a “tarde” como os filhos compreendem não passa de outra ilusão. Ilusão porque é uma realidade relativa, onde conhecer profundamente a natureza faz com que enxerguemos que Deus é o Absoluto. O que nós, seres imperfeitos, insistentemente fazemos é decretar como única a verdade que só existe em nosso ego. O desapego é arma indeferível para que consigamos combater os equívocos da mente, reencontrando-nos assim, com o Eu Interior. Caminhemos rumo a evolução!

Podemos dizer que a Encruzilhada está no cruzamento vibratório de uma coisa com outra. Como é algo muito abstrato, usamos o exemplo das ruas terrenas. Mas isso não significa que as Encruzilhadas que nos referimos são as Encruzilhadas das ruas, não! E é justamente isso que causa muita confusão mental, onde despachos são colocados no intuito de interceder algo que não está fora, e sim no interior de cada ser.

Já é chegada a hora de entender que não há outra forma de intercessão se não a caridade! Somente através da caridade se consegue compreender o que são as Encruzilhadas. E como qualquer outro conhecimento, é essencial a prática. Quando há a prática do conhecimento, emerge a sabedoria. É preciso vivenciar e assim também é na Umbanda! E esse é um dos motivos pelo qual a Umbanda ainda não foi codificada. Não foi criada para ser discutida, mas para ser sentida no âmago. E quando isso acontecer, não só com a Umbanda, mas também com todas as outras religiões, não haverá mais julgamentos, haverá mais tolerância e a caridade em uníssono salvará o planeta

Pergunta: Então é por isso que as Entidades se apresentam com “esses” nomes, como por exemplo, “Caboclo das 7 Encruzilhadas”?

Resposta: Os nomes que as Entidades se apresentam são simbólicos. Através da simbologia, os homens conseguem compreender as forças da natureza que emanam do Criador, como por exemplo, os próprios livros sagrados o são.  

Símbolos são figuras, marcas, sinais que representam ou ainda substituem muitas outra(s) coisa(s).Simbologia é o estudo acerca dos símbolos. Por acaso há alguém, não só na Terra, mas também no Astral que não necessite dos símbolos? O próprio corpo físico não passa de um emaranhado de símbolos que a medicina terrena se esforça para desnovelar.Aqueles que condenam os símbolos ainda não perceberam que para compreendê-los profundamente é necessário estar fora do fardo da carne, pois este é fator limitante da consciência. É como querer enxergar uma célula sem o microscópio.

                                                                                 Caboclo Pedra Verde do Oriente